O poder dos dados

June 25, 2018

O aprimoramento da experiência dos correntistas em um mundo cada vez mais digital está no topo da agenda do setor financeiro.   O uso intensivo de inteligência artificial e computação cognitiva para a aplicação em robôs inteligentes, ferramentas de analytics para transformar dados em oferta de produtos customizados e a possibilidade de parceiros "plugarem" suas soluções nas plataformas digitais dos bancos - com o open banking - são os temas prioritários e que dominaram os debates de banqueiros e executivos de TI que participaram da 28ª edição do Ciab Febraban, maior evento de tecnologias financeiras da América Latina, realizado na semana passada, em São Paulo.

 

 


O objetivo de transformar a experiência digital dos correntistas vem impactando as estratégias de investimentos em tecnologia dos bancos em anos recentes. ...  Dos R$ 19,5 bilhões alocados em tecnologia em 2017, 32% foram destinados ao segmento de hardwares e 50% em softwares. 

...A mudança é simples de entender: com o novo comportamento das pessoas e o maior uso de canais digitais e redes sociais, aliado ao fenômeno do mobile banking, que já responde por 35% de todas as transações bancárias no Brasil, os bancos deixaram de mirar apenas as soluções que tragam maior eficiência aos processos internos e robustez na capacidade de atendimento e voltaram os holofotes na direção de soluções que adicionem valor à experiência do consumidor.


Conforme a pesquisa da Febraban, 80% dos bancos já investem em inteligência artificial e computação cognitiva.   O mesmo percentual afirma investir em soluções de analytics, capazes de extrair insights a partir de um volume dados que cresce de forma exponencial anualmente e que permitem a criação de produtos e serviços personalizados para os clientes.   "Os dados pessoais são um dos principais insumos dessa nova economia e há um potencial enorme para trabalhar com as informações coletadas e armazenadas", diz o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal.


..."Houve de fato uma mudança no mix de investimentos em tecnologia", revelou ao Valor o vice-presidente executivo do Bradesco, Maurício Minas. ...  Hoje, mais de 50% dos recursos do Bradesco são destinados à transformação, para adotar novas tecnologias que ajudem a aprimorar a experiência do cliente", diz.


Os esforços do Bradesco nos últimos três anos foram no sentido de aperfeiçoar as ferramentas de inteligência artificial e uma de suas principais vertentes, o machine learning, método em que as máquinas, por meio de algoritmos, podem identificar padrões a partir de um grande volume de dados, criar conexões entre eles e executar tarefas com mínima intervenção humana.


Voltado inicialmente a tirar dúvidas de colaboradores, o chatbot Bia passou a interagir com os correntistas no app do banco há cerca de um ano.   Em parceria com plataformas de inteligência artificial como o Watson, da IBM, o banco desenvolveu esse robô que aprende continuamente e melhora a resposta aos usuários conforme aumentam as interações - em um ano, foram mais de 22 milhões de interações com os clientes. 

...Há um mês e meio, Bia deixou de apenas fornecer informações para também auxiliar os usuários em suas transações - após o login e sem necessidade de percorrer o menu, o cliente pode enviar um comando de voz solicitando à assistente virtual inteligente o pagamento de uma conta ou a transferência de recursos.   "O que um atendente humano poderia levar minutos para fazer a Bia responde ou executa em menos de um segundo", diz Minas.


...Ferramentas de analytics permitem às instituições conhecer melhor os hábitos e preferências dos correntistas, capacitando os bancos a serem mais assertivos na oferta de produtos.


..."Hoje, com o uso de analytics e de ferramentas de geolocalização, consigo saber se um cliente entrou em uma concessionária e ofereço automaticamente uma oferta de financiamento de veículos", disse ao Valor o vice-presidente de tecnologia do Banco do Brasil, Antonio Gustavo do Vale. 

...A transformação dos hábitos dos consumidores e a velocidade de adesão às novas tecnologias também têm impactado nas estruturas de trabalho das áreas digitais dos grandes bancos, que cada vez mais se assemelham a big techs como Google ou Facebook, ou mesmo a fintechs.   O Banco do Brasil adotou, em 2017, a metodologia ágil de trabalho para o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções.


Com ela, equipes que reúnem até dez especialistas de áreas diversas (profissionais de TI, analistas de sistemas, colaboradores da área de negócios, entre outros) se debruçam de forma colaborativa no desenvolvimento de novos projetos. ...  "O modelo traz agilidade no desenvolvimento e na entrega das soluções e permite, com mais facilidade, entender se a tecnologia dará certo ou não ainda na fase de desenvolvimento", diz Vale.


Cientistas sociais e de dados, designers de aplicativos, especialistas em algoritmos e em user experience (UX) e até antropólogos digitais, que estudam o comportamento dos consumidores nesse mundo hiperconectado, são algumas das profissões que passaram a fazer parte do quadro de colaboradores conforme os bancos avançaram em suas jornadas digitais.   O Itaú Unibanco contratou 50 cientistas de dados no ano passado e triplicará esse número em 2018.   O banco criou, em 2017, o Centro de Excelência em Analytics e desenvolveu um programa para a formação de cientistas de dados, além de ter estruturado um curso de machine learning que superou a marca de cinco mil inscritos.


Conforme o CEO Candido Bracher, o número de projetos entregues aumentou 138% e o time-to-market (o prazo para a entrega de uma solução), foi reduzido em 19%, entre o primeiro trimestre de 2017 e o mesmo período de 2018. 

 

 

Fonte: Valor Econômico

http://www.valor.com.br/empresas/5606505/o-poder-dos-dados

 

 

 

 

 

 

 

 

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